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domingo, 20 de dezembro de 2009

Saudade de vô e vó

Estou cobrindo intensamente o caso do menino Sean Goldman para uma rede americana de TV. Todos sabemos que é um assunto delicado, cada um tem uma opinião e não é sobre a minha que quero falar aqui mas sim sobre uma questão que me chamou a atenção. Lá nos EUA, todos (opinião pública e imprensa) ficam indignados do padastro ter a guarda da criança e dos avós maternos também insistirem que o garoto fique no Brasil com eles. Falam o tempo todo que o Sean está "sequestrado" e que avós não tem direito a nada. É claro que toda criança deve morar com seu pai e/ou sua mãe. Mas a maneira como eles se referem aos avós, como se fossem uma família muito distante, me fez me dar conta da diferença da relação avô/avó e neto/neta para brasileiros e americanos. Explico melhor: os americanos dificilmente moram na cidade em que nasceram. Eles costumam sair de casa aos 18 anos para ir `a faculdade que geralmente fica em outro estado. Muitas vezes casam com a pessoa que conheceram no "college" e acabam indo morar numa terceira cidade. Ou seja, se distanciam dos pais vendo-os em férias e ocasiões especiais. Quer dizer, se a relação com os pais já é distante, imagine com os avós... Muito raro o caso de um americano que tenha convivido com os avós semanalmente ou mesmo mensalmente com nós geralmente fazemos. No Brasil, acontece exatamente o contrário. Temos uma relação intensa com nossos avós. Eles ajudaram nossos pais a nos criar, assim como, provavelmente, vamos ajudar nossos filhos a criar nossos netos. Quem não conhece casos de mulheres na faixa dos 30 que se separaram e voltaram a morar com os pais (provisoriamente ou não) com um ou mais filhos? E esses avôs, acabam criando o neto junto com a própria mãe: levando na escola, na natação, no balé, e participando ativamente da vida da criança. No meu caso, por exemplo, meus pais se casaram muito cedo e a casa dos meus avós, que sempre moraram perto, era uma extensão da minha. Desde pequena me acostumei a dormir lá. E adorava!! Quantas noites não passávamos jogando cartas ou o jogo da memória quando era criança. De manhã, aquele café de vó delicioso com direito a ovo quente e milk shake de chocolate. A gente adorava ver meu avô fazendo a barba e ele, de brincadeira, passava creme de barbear em mim e em meu irmão e nos divertíamos muito!! Na adolescência, meu avô era quem me buscava na aula de sapateado e me levava para lanchar em seguida. Era muito bom!! `As quartas-feiras, minha vó fazia um almoço com as irmãs dela com direito `a visita de uma manicure da família que fazia as unhas de todas. Eu chegava lá direto da faculdade e era presença certa no almoço semanal e no embelezamento das unhas! Que boas lembranças tenho desses dois que contribuíram para minha educação, me deram muito carinho, amor e ainda uma tremenda força pros meus pais! Meu marido também me conta histórias memoráveis do seu avô, o patriarca da família, que morava no mesmo prédio que ele e participava intensamente do cotidiano dos netos. Todo dia de manhã eles passeavam juntos com os cachorros pelo calçadão com direito a um mergulho no arpoador. Ele amava e lembra disso até hoje quando passamos por ali. Algumas vezes, ele fugia para casa do avô pra matar aula e o vô o acobertava sem contar nada pros pais dele. Hoje em dia, o quarto da minha sobrinha na casa da minha mãe é maior e mais equipado do que o dela na casa do meu irmão! E isso é muito comum! Vejo a intimidade e cumplicidade das duas e garanto que quando ela crescer vai sempre querer essa avó por perto. Os avós costumam babar pelos netos e largar tudo o que estão fazendo para tomar conta deles. Na maioria da vezes fazem isso sem qualquer sacrifício. Enfim, pobres norte americanos que não tem intimidade com os avós, não crescem almoçando com eles aos domingos e não desenvolvem essa relação tão gostosa que todos temos!

9 comentários:

  1. Não tenho essa experiência com avós, mas compartilho do seu pornto de vista. As duas culturas em questão são muito diferentes mesmo e é uma pena que a sua observação não tenha encontrado ainda o caminho para que ambos os lados compreendam que as maneiras de ver a situação são diferentes.

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  2. Tenho muita saudade da minha vovó Dulce, a vó Dudu. Ela, na verdade, não esteve presente diariamente, mas em sua casa eu tinha sempre uma ótima comida e um mundo de informação. Foi por sua causa que comecei a ser um pequeno colecionador; ficávamos olhando sua coleção de cartão postal e viajávamos para os países que ela tinha conhecido...como esquecer de uma foto sua em cima de um camelo, com as Pirâmides do Egito ao fundo?
    Foi a única vó que conheci...até uns cinco anos atrás!Pois é! Acreditem. Minha mãe que ficara sem pai nem mãe com sete anos de idade, encontrou seu pai vivo em Salvador.
    Imaginem nossa emoção em conhecê-lo!!!
    Nunca vou esquecer um dia, em Itaparica, que fomos comprar pão, eu, meu filho e o vô. Foi quando ele me ensinou quê, o homem deve ficar sempre do lado mais perto à rua quando estamos na calçada, protegendo mulheres, filhos e crianças.
    Concordo que essa questão jurídica deve levar em conta a cultura. Nas favelas brasileiras, a maior parte das crianças ficam com os avós. Até porque, as mulheres tem filhos muito novinhas...
    Eu, aqui em casa, devo muito à minha mãe. Muitas vezes deixa o quê esta fazendo para estudar com o José...no fundo sei do seu amor e dedicação pelo meu filho e isso é um espelho pra o amor que darei aos meus netos.
    Parabens Renata!!! Belo artigo!!!Emocionante!!!
    Beijos Renata.

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  3. Renata, vou colocar seu blog entre os indicados pelo meu. Tenho muitos leitores e vou tentar acumular o meu tráfego para você. Seus posts são simples e muito bons e provavelmente de interesse para o meu público. Os blogs assim tenho transformado em colunas do meu. Como no mundo virtual tudo é possível (ou quase tudo) vou fazer isso e ver o que acontece. Se der certo, eu farei um convite a você para me permitir colocar um link maior no meu blog para atrair mais tráfego para o seu.

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  4. É verdade, Renata! Depois desse post, vou até dar um pulo na casa dos meus avós (que, aliás, fica a poucas quadras da minha casa e da agência...hehehe)! Bjs e Feliz 2010!

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  5. Prima,
    Não pude conter as lágrimas ao ler esse post, assim como você tive uma relação muito intensa com os meus avós e também tenho lembranças marcantes e cotidianas deles e do enorme amor e carinho que me dispensaram. Lembra das competições de desenho nos almoços da casa dos seus avós?! Ainda bem que temos a sorte de fazer parte dessa família que nos envolveu com esse conceito de união e amor familiar, e que podemos passar isso para frente, para os nossos,não apenas filhos e netos, mas para todos os que se sentirem parte dessa união, poderemos deixar assim uma lembrança tão boa como a que eles nos deixaram, pois o que fica são as coias simples feitas com amor, nós não nos lembramos das mega tecnológicas super coisas que o dinheiro pode nos comprar, e que são ótimas, contudo, nós lembramos das torradas, dos cremes de barbear, da lareira, dos aromas, do afeto! E é por isso que apesar de sermos primas em 2o. grau, temos tanta afinidade, porque fazemos aprte da mesma família, não só de sangue, mas de valores!
    Um beijo, saudades e feliz ano novo!!!

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  6. Vc tem toda razão, Prima. Que bom que vc leu e que se emocionou. É muito difícil lidar com a saudade dos tempos que não voltam mais.
    Temos que nos prometer que vamos nos ver mais em 2010, hein?

    Muitos beijos, saudades e Feliz Ano Novo!

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  7. Oi adorei seu blog
    Tenha um otimo ano novo

    bjss...

    para suas ospedes resen chegada

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  8. Um grande beijo pra vc, Nubia!!!
    Volte sempre!!

    bjsss e Feliz Ano Novo!!

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